Drama psicológico · 10 min de leitura
A mulher do lado
Adentrou o amplo apartamento amparada por mãos fortes, empurrando uma cadeira tomada de alguém que não mais fazia uso, porém bastante providencial para aquele momento, até se recostar no leito.
Aqui as grandes histórias em pequenos formatos são as protagonistas. Nossos autores escrevem narrativas impactantes, sempre com a preocupação de explorar o inusitado, o incomum. Somos tomados pelos desafios de tocar cada um dos nossos leitores, acrescentar algo em suas vidas, fazer com que observem as coisas por uma perspectiva diferente.
Assim nasceu Me conte um conto, onde, além das nossas narrativas, você encontrará também sugestões de livros, pequenos ensaios sobre os mais diversos temas, além do nosso blog onde publicaremos com frequência crônicas explorando assuntos do cotidiano e onde também daremos vazão a tantas subjetividades, metáforas, navegando por mundos desconhecidos…
Junte-se a nós, venha conhecer o nosso trabalho, a nossa proposta. Temos a certeza de que não se decepcionará, pois estamos fazendo o melhor para cada um de vocês que se atreverem, ou melhor, nos honrarem com sua presença por aqui.
Boas leituras!
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A parede defronte o imenso sofá de couro, corroído matematicamente, estava coalhada de relógios se alternando de modo frenético por estabelecer suas batidas. Todos respeitavam os segundos voluntariosos, separando as horas inevitáveis. Era uma sinfonia não sincronizada, mas alternada, como se cada um daqueles instrumentos quisesse se contrapor ao outro, por milésimos de segundos. Era um sopro a mais na existência.
No centro do sofá, com um cálice de licor nas mãos, o senhor W. observava os movimentos dos ponteiros, questionando quando deixariam de se pronunciar. Movimentava a pequena taça em direção à boca, num automatismo de fazer inveja aos ponteiros de cada uma daquelas máquinas vetustas, bem distribuídas na imensa parede. Atingiam o alto, pois eram em número considerável a fazer breves sombras quando da passagem do sol pelos dias estivais.
Súbito uma estacada inesperada de um dos ponteiros marcou a inexistência de energia para que se processasse o movimento. O ambiente, portanto, ficou com menor grau de barulho do que o costumeiro. Um dos relógios havia parado de marcar as horas, o que era basicamente uma afronta ao anfitrião que ora se recolhia em seus pensamentos, em seu movimento de copo na boca, como se houvesse um atraso, posto que havia a falta de um dos ponteiros a correr a imensa lâmina de números em torno do círculo regular.
Mais um e tantos mais acompanharam o primeiro que se manifestou, ou que deixou de se manifestar, até que restou apenas um como um valente guerreiro de espada em punho, ou melhor, de ponteiros em punho a convergir sempre em direção ao caminho rotineiro de um relógio.
O senhor W. não apresentava qualquer expressão mais grave, de desaprovação. Continuava com seu movimento mínimo de levar o pequeno cálice à boca, até que não restasse mais nada. Quando isso aconteceu, depositou o delicado objeto sobre a mesa de madeira rústica. Acabara de ouvir a campainha. Como estivesse sozinho, foi em direção à porta, abriu-a e…..
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