Drama psicológico · 10 min de leitura
A mulher do lado
Adentrou o amplo apartamento amparada por mãos fortes, empurrando uma cadeira tomada de alguém que não mais fazia uso, porém bastante providencial para aquele momento, até se recostar no leito.
Aqui as grandes histórias em pequenos formatos são as protagonistas. Nossos autores escrevem narrativas impactantes, sempre com a preocupação de explorar o inusitado, o incomum. Somos tomados pelos desafios de tocar cada um dos nossos leitores, acrescentar algo em suas vidas, fazer com que observem as coisas por uma perspectiva diferente.
Assim nasceu Me conte um conto, onde, além das nossas narrativas, você encontrará também sugestões de livros, pequenos ensaios sobre os mais diversos temas, além do nosso blog onde publicaremos com frequência crônicas explorando assuntos do cotidiano e onde também daremos vazão a tantas subjetividades, metáforas, navegando por mundos desconhecidos…
Junte-se a nós, venha conhecer o nosso trabalho, a nossa proposta. Temos a certeza de que não se decepcionará, pois estamos fazendo o melhor para cada um de vocês que se atreverem, ou melhor, nos honrarem com sua presença por aqui.
Boas leituras!
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Adentrou o amplo apartamento amparada por mãos fortes, empurrando uma cadeira tomada de alguém que não mais fazia uso, porém bastante providencial para aquele momento, até se recostar no leito. Não quis percorrer o interior da casa já tão conhecida, no máximo dirigiu seus olhos a uma parede salpicada de vinhos das mais variadas uvas, suspensos por um móvel, capaz de prender cada um deles com a segurança exigida.
Deve ter imaginado quantos jantares poderiam ser servidos, quantos amores brindados por cada uma daquelas garrafas. Abaixou os olhos em silêncio, imaginando a impossibilidade desse acontecimento para os meses seguintes. Não importava a estação, se a mais fria, exigindo uma bebida mais quente. Aquelas garrafas ali permaneceriam, ou poderiam ser arrastadas pela densa poeira, alcançando cada uma delas, na impossibilidade de serem consumidas.
Os únicos a receber um aceno, um carinho, foram seus animais com olhos comovidos pela chegada da dona, sedentos de uma mão sobre suas cabeças. Eles a acompanharam no seu itinerário até o quarto, já bastante arejado pela ajudante tão prestativa, conhecedora dos suores a invadir aquele corpo já tão calejado pelas aventuras do tempo, pelo cuidado com outros. Agora ela carecia de cuidados, ideia nada suportável, imaginando-se acima de suas forças, esforçando-se com todos, indistintamente.
Atirou-se na cama de forma precisa com o devido cuidado com as partes, necessitando de atenção redobrada. As pernas foram colocadas sobre almofadas criteriosamente dispostas aos pés da cama e, sob a cabeça, os macios travesseiros, únicos capazes de acalmar as necessidades de um corpo já bastante surrado pelas intempéries cotidianas.
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